Saiba tudo que ocorreu no segundo dia de ULEPICC em Brasília

Por Carlos Augusto Xavier, Ingrid Ribeiro e Rebeca Borges – FACTO – Agência de Comunicação.

Na quinta-feira, 10, o segundo dia de ULEPICC – Capítulo Brasil 2016 foi movimentado. As atividades ocorreram no Edifício Benedito Coutinho no Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB) e na Faculdade de Comunicação na Universidade de Brasília (UnB).

Pela manhã, no IESB, ocorreu a apresentação do Painel 1 – Internet: sua economia e suas políticas. O Painel contou com a presença de palestrantes como Eduardo Villanueva, César Bolaño e Marcos Dantas.

Bolaño abordou o contexto histórico da tecnologia e das telecomunicações. Segundo ele, a Terceira Revolução Industrial teve um vasto controle de racionalização do trabalho – ou seja, controle social –, além da vigilância e capacidade de resistência social. No entanto, não houve criação de cluster para deslanchar a concentração, como foi na Segunda Revolução Industrial.

O cientista político Villanueva também comentou sobre a história da internet. No decorrer da apresentação, ele afirma que a globalização é duplo cadeado. “A internet facilita o aumento da dependência estrutural do capital que os consumidores e trabalhadores exibem em sua forma contemporânea”, ressalta Villanueva.

O último a falar no Painel 1 foi o atual presidente da ULEPICC, Marcos Dantas. Ele caracteriza o trabalho como criativo ou cognitivo, que é apropriado pelo capital-informação. “Esse trabalho é executado por meio das palavras e das imagens empregadas na comunicação. É um trabalho de transformação material, e o produto disso é o signo. Este, por sua vez, tem um objeto de estudo: a semiótica”, comenta Dantas.


ULEPICC realiza aula pública na ocupação da FAC

O segundo Painel da ULEPICC aconteceu pela manhã, na Faculdade de Comunicação da UnB. O espaço, ocupado por estudantes contrários à PEC 55 (PEC 241 na Câmara), recebeu o Painel em formato de aula pública. Com a presença de Abraham Sicsu (UFPE) e Sarita Albagli (IBICT), o tema discutido foi “Ciência, tecnologia e inovação”.

Abrahan Sicsu falou sobre investimentos em inovação e tecnologia. “Estamos em um país onde temos que nos preocupar com os níveis de produtividade que estão muito baixos. A gente ainda nota muitos problemas de inovação na questão regional”, comenta Sicsu ao fazer reflexão a respeito do caráter regional da inovação.

Ainda no segundo Painel, a pesquisadora Sarita Albagli do IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia) abordou questões a respeito da inovação ao longo de períodos históricos. “A gente vive um quadro de grandes transformações. O termo inovação muda ao longo da história.” Sarita também expôs visões de diversos autores e pesquisadores a respeito do tema. Além disso, trouxe reflexões a respeito do movimento Ciência Aberta, em debate com os convidados.

Os Painéis encerraram as atividades pela manhã, que abriu espaço para o horário do almoço, retornando pela tarde com a apresentação dos Grupos Temáticos (GTs).

Confira abaixo os principais debates de alguns GTs.

GT1 – Políticas de Comunicação

Coordenação nacional: Profª. Drª. Eula Cabral (FCRB – MinC)
Coordenação local: Prof. Dr. Murilo Ramos (UnB)

A estudante Ana Cristina falou sobre debates referentes ao direito da comunicação. Já o estudante Lucas Queiroz apresentou as Decisões da Suprema Corte a respeito da Constitucionalidade da Lei de Meios no Uruguai. Os trabalhos do GT abordaram diversas questões a respeito do tema Políticas de Comunicação no Brasil e em outros países da América Latina.

GT3 – Indústrias Midiáticas

O pesquisador Flávio Maia exibiu um trabalho relacionado a serviços de streaming na reestruturação do mercado de música digital. Ainda opinou sobre consumo de música digital, popularização dos serviços de streaming, indústria cultural e digitalização das indústrias culturais. O estudante Gabriel Guedes também contribuiu ao falar sobre o fenômeno da segunda tela e as novas formas de interação através da televisão social em um programa esportivo.


GT6 – Ética, Política e Epistemologia da Informação

A autora Monique Figueira apresentou o trabalho “A Voz dos Invisíveis”, pesquisa Autoetnográfica com População em situação de Rua.

Sócios da Ulepicc realizam Assembleia Geral Ordinária

No início da noite, por meio da convocação de Marcos Dantas – Presidente da Ulepicc Brasil –, ocorreu Assembleia Geral Ordinária com os sócios da União brasileira. A reunião ocorreu no Edifício Benedito Coutinho no IESB.

As questões debatidas pelo grupo foram: a instalação da reunião e aprovação da pauta; apresentação de relatórios da Diretoria Executiva; apreciação e aprovação dos relatórios pelo plenário; apreciação e aprovação dos novos associados; apreciação e aprovação de alterações nos Estatutos e Regimento Interno; apresentação das chapas inscritas para a nova Diretoria Executiva; eleição da nova Diretoria para o biênio 2016–2018; eleição no Conselho Fiscal para o biênio 2016–2018 e aprovação da anuidade para o biênio 2016–2018.

Maceió sediará ULEPICC Brasil em 2018

 
Durante a Assembleia Geral, os sócios e diretores da ULEPICC decidiram o local da próxima edição da Ulepicc – Capítulo Brasil, que será na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Maceió, Alagoas.

Pesquisas sobre Políticas Públicas Audiovisuais ganham destaque em painel no 2º dia


Para fechar o segundo dia de atividades, na noite de quinta-feira (10), ocorreu o Painel 3 – Políticas Públicas Audiovisuais. A mesa foi composta pelos pesquisadores: Flávia Rocha, Sérgio Ribeiro, Lizely Borges, Luísa Montenegro e Natália Teles, que apresentaram pesquisas relacionadas ao audiovisual, comunicação e representatividade.

A mediação foi da Profª Drª Dácia Ibiapina, que também é cineasta.

Flávia Rocha apresentou o trabalho “Centralidade da economia na política audiovisual brasileira pós-impeachment da Presidente Dilma Rousseff: reordenamento da pauta da cultura na gestão do Secretário do Audiovisual Alfredo Bertini”.

Sérgio Ribeiro falou sobre sua pesquisa de Doutorado sobre o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) entre os anos de 2008 a 2013. No seu estudo, Sérgio constatou que antes do surgimento do Fundo existia pouca produção brasileira, com maior concentração de longas-metragens e uma exclusão da exibição da produção independente na televisão. Após o surgimento do FSA, houve uma mudança no quadro cinematográfico brasileiro, com um maior número de lançamentos e um aumento da qualidade da produção.

Lizely Borges investigou ações de comunicação da UNESCO durante os governos do segundo mandato de Lula e o primeiro de Dilma Rousseff. A pesquisadora analisou matérias veiculadas pela Organização e afirmou que houve um distanciamento dessas no atual cenário brasileiro, como na aprovação do Marco Civil da Internet, em que não teve nenhuma publicação sobre o tema no site da Organização.

Natália Teles apresentou uma pesquisa sobre espaços de pluralidade e diversidade na televisão brasileira, sobretudo a respeito da representatividade negra. Foi detectada pouca presença e falta de visibilidade negra no cenário. Natália afirma que a produção audiovisual ainda precisa melhorar para satisfazer o público: “A gente tem que pensar no público aliado ao atendimento e a qualidade”, destacou.


Luísa Montenegro pesquisou sobre a presença da pessoa indígena no cinema ficcional, documental e televisão pública. Luísa relatou a mudança do papel do índio imposto pelas produções no Brasil, que passou de preguiçoso para protetor da natureza durante o século XX. Ela constatou a pouca representatividade do índio nas produções, principalmente na televisão: “Na televisão os indígenas são silenciados.” Ela verificou que existem apenas 13 novelas produzidas com a figura do índio, e a maioria dos personagens são interpretados por pessoas brancas. Já no caso das minisséries, houve uma pequena melhora com oito produções que representam o indígena de maneira mais efetiva e eficaz.

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